O rio São Francisco atravessa regiões com condições naturais das mais diversas. As partes extremas superior e inferior da bacia apresentam bons índices pluviométricos, enquanto os seus cursos médio e sub-médio atravessam áreas de clima bastante seco. Assim, cerca de 75% do deflúvio do São Francisco é gerado em Minas Gerais, cuja área da bacia ali inserida é de apenas 37% da área total. A área compreendida entre a fronteira Minas-Bahia e a cidade de Juazeiro(BA), representa 45% do vale e contribui com apenas 20% do deflúvio anual. Os aluviões recentes, os arenitos e calcários, que dominam boa parte da bacia de drenagem, funcionam como verdadeiras esponjas para reterem e liberarem as águas nos meses de estiagem, a tal ponto que, em Pirapora(MG), Januária(MG) e até mesmo em Carinhanha(BA), o mínimo se dá em setembro, dois meses após o mínimo pluvial de julho. À medida em que o São
Francisco penetra na zona sertaneja semi-árida, apesar da intensa evaporação, da baixa
pluviosidade e dos afluentes temporários da margem direita, tem seu volume d'água
diminuído, mas mantém-se perene, graças ao mecanismo de retroalimentação proveniente
do seu alto curso e dos afluentes no centro de Minas Gerais e oeste da Bahia. Nesse trecho
o período das cheias ocorre de outubro a abril, com altura máxima em março, no fim da
estação chuvosa. As vazantes são observadas de maio a setembro, condicionadas à
estação seca. Condições Pluviométricas As condições pluviométricas, no baixo curso do São Francisco, diferem das constatadas no médio e alto cursos. No baixo vale os meses mais chuvosos são, geralmente, os de maio, junho e julho. O período de estiagem perdura de setembro a fevereiro, sendo outubro o mês menos chuvoso. No médio e alto vales as
maiores precipitações vão de novembro a março. O período menos chuvoso inicia-se em
abril, estendendo-se até outubro, sendo junho, julho e agosto os meses de menores
precipitações. Condições de Navegabilidade O Rio São Francisco oferece condições naturais de navegação entre Pirapora-MG e PetrolinaPE/Juazeiro-BA, durante todo o ano, com variação de calado segundo o regime de chuvas. É navegável em seus trechos Médio e Baixo, sendo o Médio São Francisco compreendido entre Pirapora-MG e Petrolina-PE / Juazeiro-BA e o Baixo entre Piranhas-AL e a Foz. Devido as diferentes características físicas existentes ao longo da via navegável, subdivide-se o trecho Pirapora-MG à Petrolina-PE/Juazeiro-BA em 03(três) subtrechos, a saber: 1º) Pirapora-MG à Pilão Arcado Velho-BA Este trecho com 1.015km de extensão, apresenta condições bastantes distintas entre o período de estiagem e o de cheia, ocorrendo variações de níveis de até 6,00m. Na cheia o leito do Rio é largo e regular, com estirões naturalmente navegáveis. No período de estiagem, a área molhada é menor, o talvegue se desenvolve entre ilhas e bancos de areia móveis ao longo do canal, que é desobstruído à medida que se torna necessário para manter a segurança da hidrovia. Há também, a existência de travessões rochosos e pedrais em alguns trechos, pedrais junto à margem e pedras isoladas no leito do rio, que são devidamente sinalizados e balizados, garantindo navegação segura. Quanto aos bancos de areia estima-se um volume anual de dragagem na ordem de 150.000m3 à 250.000m3, dependendo das condições do rio. Para todos os pedrais existentes, é feita sinalização com placas e bóias, e para alguns deles são feitos estudos quanto a possibilidade de derrocamento. 2º) Pilão Arcado Velho-BA à Barragem de Sobradinho-BA Neste trecho a navegação é feita pelo Lago de Sobradinho ao longo de 314km, caracterizando-se como navegação lacustre com excelentes profundidades. 3º) Sobradinho-BA à Petrolina-PE/Juazeiro-BA Trecho com 42km de extensão e largura variando de 300 a 800m, garante calado de 2,00m para uma vazão da Barragem de Sobradinho de 1.500m3 /seg. (A vazão defluente regularizada da U.H. de Sobradinho é de2.063m3 /seg). 4º) Piranhas-AL à Foz Com uma extensão
de 208km, apresenta navegação turística. A hidrovia Equivalente a distância entre Brasília(DF) e Salvador(BA), essa é, sem dúvida, a mais econômica forma de ligação entre o Centro Sul e o Nordeste. Com o seu extremo sul localizado na cidade de Pirapora(MG), a hidrovia do São Francisco é interligada por ferrovias e estradas aos mais importantes centros econômicos do Sudeste, além de fazer parte do Corredor de Exportação Centro-Leste. Ao norte, nas cidades vizinhas a Juazeiro(BA) e Petrolina(PE), a hidrovia está ligada às principais capitais do Nordeste, dada a posição geográfica destas duas cidades. O Rio São Francisco oferece condições naturais de navegação durante todo o ano, cuja profundidade varia de acordo com o regime de chuvas (calado). Seu porto mais importante é o de Pirapora(MG), interligado aos portos fluviais de Petrolina(PE) e Juazeiro(BA) e aos marítimos de Vitória(ES), Rio de Janeiro(RJ), Santos(SP), Salvador(BA), Recife(PE) e Suape(PE), através de rodovias e ferrovias. Em grande parte do vale do São Francisco as áreas mais propícias ao aproveitamento agrícola situam-se às margens do mesmo. Por esse motivo a maior parcela da população do vale se encontra nas proximidades do rio. A hidrovia do São Francisco, através do programa "AVANÇA BRASIL", passa por uma etapa de grandes intervenções físicas. Aliadas a isso estão as ações de operacionalidade da via. Todas essas ações permitirão que a hidrovia do São Francisco atenda a crescente demanda de tráfego, não só na região ribeirinha, mas de todo o país, consolidando-se, assim, como um dos principais elos entre o Sudeste e o Nordeste. |
CARACTERÍSTICAS FÍSICAS
PRINCIPAIS AFLUENTES |